Clara, 23

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Clara, 23

Escrevi o meu primeiro bilhete de suicídio quando tinha 14 anos. Não fiz nada quanto a isso, mas não percebi que isso não era uma coisa habitual de se fazer. Tudo o que eu sabia era que me sentia sempre só, como uma dor física no peito. Por vezes imaginava o meu coração com sangue a escorrer. Ao mesmo tempo, tirava boas notas na escola, por isso ninguém se apercebeu de que alguma coisa estava errada - nem os meus professores nem os meus pais.

As coisas pioraram quando fui para a universidade, mas eu era boa a esconder. Ou julgava que era. Comecei a beber muito. Sempre que eu não ia sair ou estudar, sentia que o meu cérebro me estava a castigar. Uma voz constante a dizer-me que eu era inútil, uma pessoa horrível, um desperdício. Que nunca ninguém se preocuparia comigo e que ninguém deveria preocupar-se comigo.

Um dia, um amigo comentou que eu deixara de sorrir. Lembro-me de ter ficado surpreendida, e de ter tentado perceber se era verdade. Foi uma coisa tão pequena mas que me ajudou a perceber como as coisas estavam mal. Como se tivesse estado sonâmbula e de repente acordasse. Também me fez perceber o quão diferente eu costumava ser. Foi então que fui ter com a conselheira. Ela encaminhou-me para um psicólogo que, depois de algumas sessões de conversa sobre o assunto, me diagnosticou com depressão.

Foi mais do que uma depressão. Acabei por me afastar um ano dos estudos. Durante muito tempo, fiquei na cama o dia todo. Senti-me como se tivesse falhado, e deitado fora todas as hipóteses de ser normal.

Passado algum tempo, quando a minha mãe chegava do trabalho, eu sentava-me na cozinha enquanto ela cozinhava. Por fim, comecei a cortar os alimentos para ela. E agora cozinho enquanto ela fala. É a nossa rotina. Cozinhar é uma coisa tão simples e criativa - gosto da sensação e do cheiro dos ingredientes, das ervas e outros produtos frescos, e fazer algo pelos outros faz-me sentir bem também.

Aceitar que estou com depressão ajudou-me a perceber que esta tristeza não é quem eu sou enquanto pessoa. Talvez esteja sempre em mim, mas sei que se deixar as pessoas ajudarem-me, posso ter mais dias bons.

Bibliografia

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