Leucemia Linfocítica Crónica (LLC)

Sobre a Leucemia Linfocítica Crónica (LLC)

O que é a LLC?

A Leucemia Linfocítica Crónica (LLC) é um dos tipos de leucemia mais comuns em adultos, afetando principalmente pessoas com mais de 60 anos. É raro ser diagnosticada em pessoas com menos de 40 anos.[1]

É um tipo de cancro que afeta os glóbulos brancos e que tende a progredir lentamente ao longo de vários anos.

As células B fazem parte do sistema imunitário e desempenham um papel importante no combate às infeções no corpo.[2]

A LLC ocorre quando a medula óssea produz muitos glóbulos brancos, chamados linfócitos, que não estão completamente desenvolvidos e não funcionam adequadamente.[2]

Os linfócitos anormais produzidos podem acumular-se ao longo do tempo no sistema linfático, como a medula óssea e linfonodos.[3]

Estas células podem sobreviver mais tempo do que as células normais e acumulam-se, expulsando as células normais da medula óssea. Isto pode levar a sintomas como:[1][4]

  • Um risco aumentado de contrair infeções;
  • Fadiga persistente (cansaço);
  • Fraqueza;
  • Falta de ar;
  • Glândulas inchadas no pescoço, axilas ou virilha;
  • Hemorragias ou hematomas incomuns.

A Leucemia Linfocítica Crónica (LLC) é diferente de outros tipos de leucemia, incluindo a leucemia mieloide aguda, a leucemia linfoblástica aguda e a leucemia mieloide aguda, porque cresce e dissemina-se mais lentamente.[1][3]

Sabe-se que a LLC tem uma base genética, não é uma doença hereditária, no entanto em algumas famílias podem existir várias pessoas com LLC.[5]

O que causa a Leucemia Linfocítica Crónica (LLC)?

A causa exata da Leucemia Linfocítica Crónica (LLC) ainda não é conhecida, no entanto, a investigação tem ajudado a compreender melhor esta doença.[6][7]

O que se sabe é que algum factor contribui para causar mutações (alterações) no ADN dos glóbulos brancos que, por consequência, faz com que a medula óssea produza muitos linfócitos (células B) anormais e ineficazes.[3][8]

O acumular destas células B leva a alterações no sangue ao longo do tempo que podem causar:[8]

Anemia

Causada pela baixa contagem de glóbulos vermelhos no sangue que pode aumentar a fadiga

Baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia)

Causando uma tendência aumentada para hemorragias

Baixa contagem de certos glóbulos brancos (neutropenia)

Aumento do risco de infeção

Diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico de Leucemia Linfocítica Crónica (LLC) acontece por acaso e geralmente por consequência de um exame de rotina ao sangue.[3]

Se tiver sintomas, o seu médico vai examiná-lo e fará um exame ao sangue para verificar o seu hemograma completo (número dos diferentes tipos de células sanguíneas). Se o médico suspeitar que tem LLC, vai reencaminha-lo para um Hematologista, um médico especialista em diagnosticar e tratar doenças do sangue. O Hematologista irá prescrever mais exames para confirmar o diagnóstico.[3]

Exames

Existem diversos exames que pode fazer no decorrer do diagnóstico e durante a progressão da doença.

Os exames sanguíneos serão regulares durante todo o tratamento para confirmar o seu estado de saúde geral, e também será recorrentemente questionado sobre sintomas que possa estar a sentir. Estes exames sanguíneos vão analisar:

  • A contagem de linfócitos – indicam o estado ou nível da LLC
  • A hemoglobina e/ou a contagem de glóbulos vermelhos – níveis mais baixos podem ter como consequência sintomas como cansaço ou falta de ar
  • Os níveis de plaquetas – um nível baixo pode indicar maior tendência para hemorragias e hematomas

Às vezes, pode ser necessário fazer uma aspiração de medula óssea (remoção de fluído) ou uma biópsia (remoção de osso e medula) para determinar o prognóstico e se o tratamento está a ser eficaz. Geralmente, estes exames são realizados durante uma consulta hospitalar.

Nestes testes é usada uma máquina, um citometro de fluxo, para determinar que marcadores existem nas células e assim identificar o tipo de célula.

No diagnóstico da LLC, este teste é usado para verificar se os linfócitos de uma amostra de sangue contêm células B anormais.

O exame sanguíneo é geralmente suficiente para o diagnóstico da Leucemia Linfocítica Crónica (LLC), no entanto, o exame de medula óssea pode ajudar a perceber quão avançada está a sua doença. Este exame é realizado quando é clinicamente indicado e pode ser feito através de uma aspiração ou biópsia de medula óssea.

Testes genéticos

A presença de certas alterações cromossómicas (mutações) encontradas nas células leucémicas podem ajudar os médicos a determinar a escolha do tratamento indicado para si.10

Os médicos podem pedir para realizar uma série de testes genéticos antes de tomar uma decisão sobre as suas recomendações de tratamento.11

Os testes vão analisar algumas características biológicas encontradas nas células leucémicas.

Estes testes são:

O teste de hibridização in situ de flourescência (FISH) utiliza uma amostra de sangue ou da medula óssea para encontrar partes de cromossomas que estão em falta (deleções, muitas vezes escritas como “del”). Essas alterações podem ajudar a determinar se a LLC é de baixo ou alto risco.

O cariótipo dá-nos uma imagem de uma célula e de todos os cromossomas que estão dentro dela. Assim, a cariotipagem é um teste que mostra se existe alguma mudança no número, tamanho ou forma dos cromossomas.

A sequenciação de ADN analisa as células do sangue ou da medula óssea para detetar alterações ou mutações. Na LLC, a sequenciação é usada para averiguar mutações nas regiões variáveis das cadeias pesadas das imunoglobulinas (IGHV).

O gene IGHV, presente nas células imunológicas, contém instruções para produzir uma parte específica dos anticorpos – uma proteína que ajuda o corpo a combater infeções. Na Leucemia Linfocítica Crónica, esses genes podem estar mutados ou não mutados. O gene IGHV mutado está geralmente associado a um prognóstico favorável, enquanto o gene não mutado está associado a uma LLC de maior risco e certos tratamentos serão mais adequados a estes doentes de alto risco. [5]10

Quando uma parte de um cromossoma (componente crítica dentro da célula) está em falta, é chamado de deleção. Um tipo de deleção que ocorre no cromossoma 17 é chamado del(17p) e é muito comum na LLC. Esta deleção pode afetar a forma como as células leucémicas crescem. É então considerada um factor de risco que pode sugerir que a doença irá progredir mais rapidamente. [5]10

O gene TP53 é responsável por sinalizar se as células danificadas devem ser reparadas ou destruídas. Se este gene estiver mutado numa pessoa com Leucemia Linfocítica Crónica, este factor pode significar que a LLC é de maior risco.

O gene TP53 mutado é frequentemente detetado em pessoas que também têm del(17p), o que significa que parte do braço curto do cromossoma 17 está em falta. 10

Outra deleção relevante em doentes com LLC é a del(11q), que significa que faltam partes do cromossoma 11. Quando esta deleção ocorre, pode afetar a forma como o ADN se repara levando ao maior crescimento das células cancerígenas. A del(11q) é por isso considerada outro factor de risco que sugere que a Leucemia Linfocítica Crónica pode progredir mais rapidamente. [5]1211

Quando há três cópias de um cromossoma numa célula, chama-se trissomia (“tri” porque há 3 cromossomas em vez dos 2 normais). As pessoas que têm trissomia 12, ou +12, como única anormalidade são consideradas como tendo LLC de risco médio. No entanto, se tiver mais alguma anormalidade para além desta podem estar em maior risco de progressão de doença.[5]10

O cromossoma 13 contém o gene que ajuda a controlar o crescimento celular. Del(13q) significa que parte do cromossoma 13 está em falta. Quando ocorre esta deleção, o crescimento das células cancerígenas pode ficar afetado. Quando é o único factor genético, sugere um prognóstico favorável, o que significa uma LLC de menor risco de progressão. [5]10

Estadiamento

Um sistema de estadiamento é uma forma dos médicos descreverem o cancro e determinarem quando e como precisa de ser tratado. Existem dois sistemas diferentes para o estadiamento da Leucemia Linfocítica Crónica, ambos baseados em observações clínicas: 13

  • Sistema Binet – usado mais amplamente na Europa 13
  • Sistema Rai – usado predominantemente nos Estados Unidos 13

A LLC é o único tipo de leucemia em que é usado um sistema de estadiamento.13

Neste sistema, a LLC é classificada pelo número de tecidos linfoides afetados (linfonodos no pescoço, virilha e axilas, bem como no baço e fígado) e se o doente tem anemia (poucos glóbulos vermelhos) ou trombocitopenia (poucas plaquetas sanguíneas).

Os estadios Binet são: [1]

Estadio A – se tiver gânglios linfáticos aumentados em menos de 3 áreas (como pescoço, axilas ou virilhas) e uma contagem alta de glóbulos brancos [1]

Estadio B – se tiver gânglios linfáticos aumentados em 3 ou mais áreas e uma contagem alta de glóbulos brancos [1]

Estadio C – se tiver gânglios linfáticos aumentados ou baço aumentado, uma contagem alta de glóbulos brancos e uma contagem baixa de glóbulo vermelhos ou plaquetas [1]

A LLC em estadio B e C, geralmente, é tratada de imediato. A LLC em estadio A é normalmente tratada apenas se a doença estiver a piorar rapidamente ou se começou a causar sintomas. [1]

Este sistema é baseado na linfocitose, uma condição na qual há um aumento de glóbulos brancos, chamados linfócitos, na circulação sanguínea. [4]

O número elevado de linfócitos no sangue e na medula óssea não devem estar relacionados com nenhuma outra causa (como infeções). Os estadios Rai variam de 0 a IV e é um sistema maioritariamente usado para avaliação clínica da LLC nos EUA. [2]

Bibliografia

National Psoriasis Foundation. About psoriatic arthritis. Disponível em: https://www.psoriasis.org/about-psoriatic-arthritis Acedido em junho de 2020.
NHS. Psoriatic arthritis. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/psoriatic-arthritis/ Acedido em junho de 2020.
PAPAA. Psoriasis: a simple explanation. Disponível em: https://www.papaa.org/learn-about-psoriasis-and-psoriatic-arthritis/common-questions/psoriasis-a-simple-explanation/ Acedido em junho de 2020.
Coates LC and Helliwell PS. Clin Med 2017: 17(1):65-70.
Arthritis Foundation. Psoriatic arthritis. Disponível em: https://www.arthritis.org/diseases/psoriatic-arthritis Acedido em junho de 2020.
NHS. Psoriatic arthritis. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/psoriatic-arthritis/ Acedido em junho de 2020.
WebMD. The emotional effects of psoriatic arthritis. Disponível em: https://www.webmd.com/arthritis/psoriatic-arthritis/the-emotional-toll-of-psoriatic-arthritis Acedido em junho de 2020.
WebMD. Psoriatic arthritis. Disponível em: https://www.webmd.com/arthritis/psoriatic-arthritis/psoriatic-arthritis-the-basics Acedido em junho de 2020.
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