Cancro da Bexiga

Cancro da Bexiga

A presença de sangue na urina é o que leva a maioria das pessoas com Cancro da Bexiga a procurar ajuda médica. Sintomas como necessidade frequente de urinar ou dor a urinar também são comuns em fases iniciais do Cancro da Bexiga, embora também sejam sugestivos de outras patologias, geralmente benignas, como uma infeção do trato urinário. Na verdade, a presença de sangue na urina também pode representar outro diagnóstico, como pedra nos rins. Por isso, é importante procurar assistência médica se notar alguma mudança fora do comum nas suas idas à casa de banho.[1] A deteção precoce do Cancro da Bexiga pode ter um impacto significativo no sucesso do tratamento.

O que é o Cancro da Bexiga?

O Cancro da Bexiga começa no revestimento interno da bexiga – um órgão oco em forma de balão no qual é armazenada a urina. O tumor surge quando as células que compõem a bexiga, as chamadas células uroteliais, começam a crescer de forma descontrolada.

O Cancro da Bexiga pode ser definido pelo seu estadio:

  1. Os tipos de Cancro da Bexiga superficiais ou não invasivos são aqueles que afetam apenas o revestimento interno da bexiga.
  2. Os tipos de Cancro da Bexiga invasivos são aqueles que se espalham para fora do local onde começaram a crescer; estes são mais difíceis de tratar.

Existem vários tipos de Cancro da Bexiga, alguns mais raros que outros:

  • Carcinoma Urotelial: Pode ser causado por alterações genéticas das células da bexiga. Essas células podem desenvolver-se de forma anómala nos rins ou em canais do trato urinário. Este tipo de Cancro da Bexiga é a forma mais comum deste tipo de tumor maligno, representando aproximadamente 90% de todos os casos. Geralmente desenvolve-se de forma superficial, mas pode tornar-se invasivo quando não tratado.
  • Carcinoma de Células Escamosas: Tem origem nas células finas e planas do revestimento da bexiga. Este tipo de tumor maligno tende a ser invasivo e está normalmente associado a irritação ou a inflamação crónica, ao uso de um cateter de demora ou a esquistossomose (um tipo de infeção parasitária). É uma forma menos comum de Cancro da Bexiga, representando 10% de todos os casos.
  • Adenocarcinoma: É um tipo de Cancro da Bexiga invasivo e uma das formas mais raras de Cancro da Bexiga, representando apenas 1 a 2% de todos os casos. Este tipo de cancro começa nas glândulas mucosas que estão no tecido que envolve todos os órgãos, incluindo a bexiga.
  • Carcinoma de Pequenas Células: À semelhança do Adenocarcinoma, este tipo de Cancro da Bexiga é também invasivo e raro, começa em células semelhantes a nervos na bexiga (células neuroendócrinas). Este tipo de cancro pode desenvolver-se de forma rápida e requer uma intervenção precoce.
  • Sarcomas: Os Sarcomas da bexiga são as formas mais raras deste tipo de cancro. Têm origem na camada muscular da bexiga e não no revestimento do órgão. Este tipo de doença pode exigir um tratamento multivariado.

O estadiamento do Cancro da Bexiga determinará o prognóstico e o plano de tratamentos. Os estadios 0 e 1 são considerados Carcinoma da Bexiga Não-Músculo Invasivo (CBNMI), enquanto os estadios 2 e 3 são Carcinoma da Bexiga Músculo Invasivo (CBMI).12 O estadio 4 é considerado Cancro da Bexiga Metastático. O tipo e estadio podem ser determinados com base na extensão da doença.12

Estadio 0

Estadio I

Estadio II

Estadio III

Estadio IV

Estadio 0

O tumor não foi além do revestimento interno da bexiga.

Estadio I

O tumor cresceu para o tecido conjuntivo entre o revestimento interno e o músculo da bexiga, mas não se espalhou para o resto do órgão ou para o resto do corpo.

Estadio II

O tumor cresceu no músculo da bexiga, mas não atingiu o tecido que envolve a parte externa da bexiga.

Estadio III

O tumor cresceu fora da bexiga e perto de órgãos como a próstata, o útero ou um gânglio linfático, mas não se espalhou além do abdómen.

Estadio IV

O tumor espalhou-se para fora da bexiga, para outras áreas do corpo.

Cancro da Bexiga: sintomas

Embora os sintomas do Cancro da Bexiga possam variar de acordo com o estadio da doença, alguns sinais não devem ser ignorados:13

  • Dor abdominal e lombar
  • Sangue na urina
  • Vontade de urinar frequente
  • Dor ao urinar

Os doentes também podem apresentar perda de peso ou fadiga. Se tiver algum destes sintomas, o seu médico pode recomendar-lhe uma série de exames, como análises à urina em busca de sinais de sangue, células cancerígenas ou outras substâncias características do Cancro da Bexiga.14 O seu médico também pode pedir uma tomografia computadorizada (TAC) para verificar se há sinais de cancro.15 A cistoscopia também é um exame complementar de diagnóstico comum neste tipo de doença: um urologista usará um tipo de sonda para inspecionar o trato urinário e a bexiga em busca de sinais de cancro. Se o urologista encontrar uma área suspeita, recolherá uma pequena amostra de tecido (resseção transuretral), para determinar o tipo de lesão.15

Qual a incidência do Cancro da Bexiga?

O Cancro da Bexiga é o 10º tumor maligno mais comum em todo o mundo. Entre todos os tipos de cancro, é o sexto mais frequente entre os homens e o 17º mais comum entre as mulheres.16 No geral, diagnosticam-se 550.000 novos casos de Cancro da Bexiga por ano em todo o mundo.17 Em 2020, a Europa foi responsável por cerca de 200.000 novos casos em homens e mulheres— aproximadamente 35% de todos os novos episódios de doença no mundo.18 No entanto, a taxa de sobrevida cinco anos após o diagnóstico é de 77%, dependendo do tipo de cancro e da sua deteção precoce.19

Existem alguns fatores associados a um maior risco de Cancro da Bexiga:

  • Tabagismo: O tabagismo é o maior fator de risco associado ao Cancro da Bexiga, representando cerca de 40% a 70% de todos os casos.20
  • Exposição a produtos químicos: A exposição a certos produtos químicos industriais é outro fator de risco para o Cancro da Bexiga, representando cerca de 25% dos casos.21
  • Idade: O Cancro da Bexiga é mais comum em pessoas com mais de 55 anos.20 Quase 6 em cada 10 (56%) novos casos de Cancro da Bexiga no Reino Unido são diagnosticados em pessoas com 75 anos ou mais.22
  • Género: O Cancro da Bexiga é mais comum em homens.23
  • Outros fatores de risco incluem radioterapia, quimioterapia, diabetes, uso de cateter de demora, infeções do trato urinário de longa duração, cálculos na bexiga, menopausa precoce e esquistossomose (infeção aguda e crónica causada pelo parasita trematode do género Schistosoma).21

Cuidados e tratamento do Cancro da Bexiga

Existem vários tratamentos para o Cancro da Bexiga, sendo que a sua indicação varia de acordo com o estadiamento da doença.24 Embora o Cancro da Bexiga tenha um prognóstico variável com base no estadio,25 a sua recorrência é comum.26 Por isso, recomendam-se exames regulares para controlar uma eventual recidiva da doença.24

  • A cirurgia é uma opção comum se tiver Cancro da Bexiga superficial e em estadio inicial, porque o tecido afetado geralmente está circunscrito a uma área específica.27 Os cirurgiões removerão partes da bexiga ou usarão uma pequena ferramenta para eliminar os tumores, deixando o restante tecido saudável intacto.28 Em casos mais avançados de Cancro da Bexiga, a bexiga pode ter de ser removida através de um procedimento denominado cistectomia radical. Esta cirurgia consiste na remoção da bexiga, dos gânglios linfáticos pélvicos, parte da uretra e dos órgãos vizinhos que contêm cancro, nomeadamente a próstata no caso do homem e o útero no caso da mulher.28 Esta cirurgia implica a criação de uma nova bexiga feita a partir de intestino delgado (íleo) que permite excretar a urina através da uretra ou a construção de uma derivação urinária cutânea (urostomia), o que exige a colocação de um saco coletor de urina na parede abdominal.28
  • A imunoterapia é um tratamento comum neste tipo de doença, ativando o sistema imunitário para detetar células cancerígenas e destruí-las.27
  • A radioterapia usa radiação para destruir este tipo de tumores; pode ser usada para eliminar qualquer célula cancerígena que não tenha sido possível remover durante a cirurgia.
  • A quimioterapia pode ser oral, por via intravenosa ou administrada a partir de um cateter (intravesical) inserido na uretra.27
  • Terapia combinada de radioterapia e quimioterapia para tratar o cancro.15

Para além destes tratamentos, pode perguntar ao seu médico se existem ensaios clínicos disponíveis e se eventualmente há a possibilidade de se qualificar para um deles.

Viver com Cancro da Bexiga

Receber um diagnóstico de Cancro da Bexiga pode ser assustador e angustiante. Neste tipo de situação, essas emoções são normais, esperadas e aceitáveis. Mas não se esqueça: tratar o Cancro da Bexiga não é apenas aderir a procedimentos médicos ou cirúrgicos ou tomar a medicação, é preciso encontrar o apoio emocional certo.13

Muitas pessoas diagnosticadas e tratadas com Cancro da Bexiga vivem vidas normais. No entanto, os tratamentos podem causar alterações significativas no seu estilo de vida, o que pode causar sofrimento emocional e trazer um período de adaptação – tanto físico, como mental. Para alguns doentes, é preciso aprender a viver com um saco coletor de urina na parede abdominal ou usar um cateter, por exemplo. Essas mudanças podem afetar a sua intimidade, vida social ou a sua relação com o seu próprio corpo.13 Dessa forma, pode ser extremamente útil ter alguém com quem possa conversar sobre as suas emoções. Seja franco com seus amigos e familiares e fale sobre o que está a sentir. Outra forma de superar as adversidades é abraçar as mudanças que pode introduzir na sua vida, começando pela aposta num estilo de vida saudável. Pare de fumar, reduza o consumo de álcool, opte por refeições equilibradas e faça exercício físico regular se possível. Estas atividades vão fortalecer não só o seu corpo, como a sua mente, devolvendo-lhe a sensação de controlo sobre a sua vida.29

Se desenvolver efeitos indesejáveis dos tratamentos, deve notificar o seu médico imediatamente, para que as dosagens dos tratamentos sejam ajustadas. Por outro lado, podem ser necessários cuidados de apoio.

Perguntas para fazer ao médico sobre Cancro da Bexiga

A lista abaixo inclui exemplos de perguntas para o ajudar a iniciar uma conversa com o seu médico. Podem surgir outras questões relevantes com base nos seus sintomas, estadio de doença ou historial clínico que não estejam aqui listadas.

  • Como posso distinguir o Cancro da Bexiga de uma infeção do trato urinário ou pedra nos rins?
  • Qual é o estadio do meu caso de Cancro da Bexiga?
  • O tumor espalhou-se para além da bexiga?
  • Como são os diferentes estadios do Cancro da Bexiga?
  • A minha história familiar determinou a possibilidade de desenvolver Cancro da Bexiga?
  • Quais são opções de tratamento disponíveis para o Cancro da Bexiga?
  • O que é a medicina personalizada?
  • De que forma os tratamentos afetarão a minha vida diária?
  • Se a minha bexiga for removida, quais são as minhas opções para urinar? Quais são os prós e os contras de cada uma das opções de tratamento?
  • O tumor ou os tratamentos podem atrapalhar a minha vida sexual?
  • Com que frequência devo realizar testes de controlo após a cirurgia?
  • Como sabemos se o Cancro da Bexiga recidivou? A que sinais devo estar atento?
  • ...

Janssen & Cancro da Bexiga

Na Europa, o Cancro da Bexiga é o 5º tumor maligno mais comum. Estima-se que até ao ano de 2030, cerca de 219.000 pessoas sejam diagnosticadas com esta doença por ano em toda a Europa.30

As pessoas com doença em fase avançada têm menores hipóteses de cura e sobrevivência. A taxa de sobrevida a cinco anos é de 35% e 5% em doentes com doença avançada ou com doença metastática, respetivamente.31 Isso significa que há uma grande necessidade de novas opções terapêuticas para o Cancro da Bexiga. Na Janssen, abraçámos esse desafio.

A evidência científica mostra que o diagnóstico precoce aumenta as probabilidades de sucesso.32 Nesse sentido, concentramo-nos no estudo das células uroteliais com vista ao desenvolvimento de novas terapias direcionadas – isoladas e em combinação – para melhorar os resultados e as hipóteses de cura.

Glossário

  • Urologista: Médico especializado no tratamento de doenças do sistema urinário e do sistema reprodutivo.33
  • Células uroteliais: Células encontradas no revestimento interno da bexiga.
  • Urotélio: O revestimento interno da bexiga.
  • Cateter: Tubo inserido na bexiga através da uretra.34
  • Uretra: Canal que vai da bexiga ao meato urinário e que conduz a urina para fora da bexiga.
  • Cistoscópio: Sonda fina e flexível com uma câmara na extremidade usada para analisar a bexiga.35
  • Disúria: Dor sentida ao urinar.36
  • Trato Urinário: Conjunto de órgãos envolvidos no sistema urinário, incluindo rins, bexiga e uretra.37
  • Hematúria: Sangue na urina.38

Associações de Doentes

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Coligação Mundial de Doentes com Cancro da Bexiga

A Coligação Mundial de Doentes com Cancro da Bexiga trabalha no sentido de aumentar a consciencialização para o Cancro da Bexiga. Para isso, cria grupos de apoio de doentes e empenha-se na defesa e incentivo à investigação médica.

Action Bladder Cancer UK

A Action Bladder Cancer UK envolve o público em campanhas de consciencialização para o Cancro da Bexiga, identifica novas áreas de investigação e oferece apoio aos doentes e familiares.

Bibliografia

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National Psoriasis Foundation. The immune system and psoriasis. Disponível em: https://www.psoriasis.org/research/science-of-psoriasis/immune-system Acedido em junho de 2020.
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